Nota IASDtatui:

A Seguir, você tem um estudo que não sabemos a sua origem (temos apenas o nome do tradutor – que talvez não domine muito bem o português pelos inúmeros erros de concordância e pelo uso de palavras um tanto grosseiras, que na medida do possível, eu as substituí ou as corrigi...) mas, apesar de ser interessante notar a progressão do catolicismo (bárbaro – longe do verdadeiro cristianismo), demonstra que o seu autor é um ateu (na verdadeira concepção da palavra), mesmo porque este estudo foi tirado de um Site anti-cristão (satânico por excelência).

Ao longo do estudo podemos notar que a palavra Deus, sempre foram escritas com letras minúsculas (devidamente corrigidas aqui); demonstrou também que procurou denegrir não só a igreja católica, preeminente nestes séculos pós Cristo, mas o próprio Cristo (Foi-me difícil alterar os parágrafos que procuraram denegrir a imagem de Jesus, sem descaracterizar – muito – o contexto).

Mas, demonstrou, também que não podemos confiar plenamente nas datas relacionadas – use-as apenas como ponto de partida para uma consulta mais aprofundada (Se você realmente quer saber como foi a idade negra do catolicismo, da inquisição e sobre o protestantismo, leia o livro: O Grande Conflito, de Ellen G. White, CPB – disponível neste Site na Página do Colportor), pois demonstrou total desconhecimento de fatos que nós aprendemos nos bancos escolares, principalmente quando estudamos História Geral, ou melhor, a História Universal sobre a revolução industrial e principalmente sobre a Revolução francesa (observe as datas em que ocorreram – destacamos neste estudo, em vermelho, um trecho em que coloca em meio século adiante, tal revolução).

Quanto ao papa que foi preso e exilado (morrendo no exílio um ano depois) pelo general das topas francesas, Berthier, foi Pio VI, no ano de 1798. O Apocalipse já havia profetizado sobre este evento em Apoc. 13... Saiba mais, lendo o estudo sobre o Apocalipse Sinóptico, neste Site; mas leia a seguir, um trecho deste estudo:

...Quando estudamos sobre as diversas “épocas” da Igreja de Cristo, vimos que sua pureza perdeu-se tão logo ela cortejou os favores do mundo. Apoc. 6:5 (... e tinha uma balança na mão – quando foi introduzida a compra de indulgências). Por isto, João viu “uma mulher embriagada” em cuja testa estava escrito “Mistério, A grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra”; montada sobre uma Besta escarlate com sete cabeças e dez chifres... Apoc. 17:3. O profeta admirou-se quando viu este poder e só quando o Anjo lhe deu uma série de explicações – que a história universal comprovou, como veremos mais adiante – é que João compreendeu a visão: “A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra”. (Apoc. 17:18).

No livro do Apocalipse encontramos nove citações sobre “a grande cidade”, sempre se referindo a este sistema renegado, “admirado por seus seguidores”. A mulher representando o sistema eclesiástico e a besta, o poder político...

Mas o seu poder estava no fim; pois ela estava aguardando o seu julgamento (Apoc. 17:1):“a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá”. (Apoc. 17:8). Tendo recebido “seu poder” através do decreto de Justiniano (538 d.C.), deveria durar 1.260 anos, conforme fora profetizado em Apoc. 11:2,3. Durante estes séculos, praticamente controlou a cena política da Europa, coroando reis, excomungando “hereges” até mesmo reais... Mas recebeu “uma ferida mortal” (Apoc. 13:2,12), nas mãos de Napoleão, em 9 de agosto de 1.798. O poder que era cessou...

Um novo período de existência deste poder se desdobrou, ou seja o poder que já não é pois o Papa fora para o cativeiro (Apoc. 13:10). Mas o Anjo mostrara a João que ele voltaria e se tornaria um poder mundial...

Neste ponto, de nosso estudo, é importante lembrarmos Jesus que nos alertou: “Disse-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós creiais” (João 14:29). Isto nos mostra que profecias difíceis de serem compreendidas ou até mesmo de se cumprirem; ao se realizarem, dão um novo vigor na  da Igreja de Cristo, e nos dão certeza que os demais pontos das mesmas certamente ocorrerão...Ultimamente a igreja de Roma, através dos movimentos carismáticos e viagens do “Vicarius Filii Dei” (666?) tem estado a recuperar o seu poder Religioso e Político.

VEJA o gráfico abaixo e entenda a sua aplicação:

OBS: Quando a Itália foi unificada sob a revolução de Garibaldi (1866-1870), a igreja foi privada até de suas terras, ficando o papa recluso em Roma. Cinqüenta e nove anos depois (11/02/1929) Mussolini assina com o cardeal Gaspari a devolução de parte de suas terras – o atual Vaticano – sendo que a partir daí o papa voltou a ser contado entre os soberanos da Terra...

Mas, no entanto vale a pena,  salvo estas observações, ler este estudo, porém, faça uma oração antes. Amém!

LEIA TAMBÉM: A Teoria Contemporânea dos Sete Reis

 

Catolicismo: Em Nome de Cristo...

         Há cerca de 2000 anos, nascia na Galiléia, Jesus, que acabaria crucificado uns trinta anos mais tarde. A igreja que Ele tinha fundado tornar-se-ia, como passar dos anos, uma das maiores de todos os tempos. Pouco a pouco a Igreja fundada por Cristo torna-se a Igreja Católica Apostólica Romana. Ela tomará o poder político dentro do Império Romano, abolirá a liberdade de religião, depois ajuntará montanhas de cadáveres; os seus membros massacrarão milhões de "infiéis", "hereges", "feiticeiras" e outros, depois se matarão entre eles próprios, levando a Europa a algumas das guerras mais ferozes que ela conheceu. Um passado destes poderia incitar a modéstia, mas os católicos reivindicam, pelo contrário, o monopólio da ética. Proclamam que adoram o Deus único, que deus é "amor", e se consideram melhores que o resto da humanidade (recentemente em um Manifesto desta Igreja declarou-se que não há salvação se não através da Igreja Católica).

Ela, a única ideologia capaz de dividir com o comunismo e o nazismo o pódio dedicado às ideologias mais mortíferas da história humana, o cristianismo católico mantém-se como uma ideologia dominante em muitos países ocidentais, assim como no "gendarme do mundo", os EUA. Chegou a hora de abrir o "Livro Negro do Catolicismo: 2000 anos de terror, perseguições e repressão", que resume algumas das piores atrocidades cometidas em nome dessa Igreja que pretende promover o amor ao próximo.

Ano um:

         O Império Romano garantia a liberdade de culto. O ateísmo e a razão dominavam. É nessa época que nasce Jesus... Com Ele surge o cristianismo. Os judeus não O aceitam e, finalmente, é morto. Mas a Sua Igreja se expande com o êxito que hoje se conhece.  Jesus é proclamado "verdadeiro Deus", ("Deus-Homem", em linguagem comum). E, a princípio os romanos com o apoio dos judeus iniciam uma feroz perseguição aos cristãos (Atos dos Apóstolos). Depois, o cristianismo avança, cresce e acaba por tornar-se no que hoje conhecemos como catolicismo (após a queda do Império Romano a Igreja daqueles dias toma o poder e inicia-se a era dos papas. Os que não aceitam esse poder temporal e insistem em continuar a seguir apenas as Escrituras Sagradas são proclamados imediatamente heréges, e sofrerão, mais tarde, os raios da Inquisição. A partir do século IV da nossa era, começará o assassinato dos "não-crentes" pelos pretensos cristãos.

Anos 50-70;

O cristianismo católico se desenvolve. Textos gregos, escritos por membros do apostolado, fora da Palestina ("os Evangelhos e as Epistolas") relatam a vida, morte e ressurreição de Jesus: nascido duma virgem, que, segundo os católicos de hoje, se manteve virgem mesmo tendo vários outros filhos, confirmados pelos evangelistas...

Durante o Seu ministério terrestre realizou diversos milagres, curas e exortações; tudo para que o homem usasse como exemplo e cujo alvo era a Salvação Eterna.

O fato de, segundo os evangelhos "canônicos", uma das suas últimas palavras sobre a cruz terem sido "Dai-me de beber" não parece perturbar os adeptos do catolicismo que não compreendem que Cristo destituiu-se de toda a Sua divindade para tornar-se o Cristo humanizado e, que naquele momento atinge o auge da humanidade e morre por pecadores como eu e como você, ou seja, por amor a todos nós...

Nenhuma intolerância religiosa dos cristãos daqueles dias foi registrada, exceto que, como criam no “Deus único”, começou logo a atrair a atenção da justiça romana, que defendia a liberdade de culto – o paganismo – e que era um dos pilares daquela sociedade complexa e multicultural, conhecida como o Império Romano dos primeiros séculos da nossa era.

O avanço cristão inverte habilmente a situação. Os condenados pela justiça romana são declarados "mártires" e os seus nomes são venerados nas igrejas; e, o Império Romano tenta alegar que estes foram mortos por desordem política mas a pura realidade é que estes se negaram a dobrar-se perante o paganismo daquela sociedade multicultural e idólatra...

Ano 312;

No fim duma guerra civil, Constantino toma o poder e para manter-se no poder alia-se aos cristãos que conforme profetizara o último livro das Sagradas Escrituras – o Apocalipse – já estava se apostatando dos verdadeiros fundamentos de Cristo e da Igreja pura da época apostólica, Nestes dias, já eram as grandes maiorias, no Império Romano. Pouco depois ele – Constantino - se converte oficialmente ao cristianismo, e "autoriza", num primeiro tempo, o culto do Deus único, pelo Édito de Milão: é o início da perseguição religiosa na Europa. Pouco a pouco o culto dos outros deuses, exceto a Deus, vai sendo proibido.

Os santuários clássicos serão destruídos ou transformados em igrejas cristãs (hoje, na praça de São Pedro – no Vaticano, encontramos uma estátua que foi denominada de São Pedro; na realidade esta estátua, originalmente era um Deus pagão, Júpiter). No fim do século IV, não haverá mais nenhum templo pagão em toda a bacia do Mediterrâneo. Era o radicalismo católico-político sendo imposto por decretos e a força...

Foi também nestes dias que, por decreto, foi mudado o Dia do Senhor – o sábado bíblico, memorial da criação – por um dia pagão, o domingo (dia do Sol), com a pretensa desculpa de ser o dia da ressurreição de Jesus...

Ano de 380:

         O imperador Teodósio proclama oficialmente o Cristianismo a única "Religião do Estado". Mas ainda será necessário esperar mais 12 anos para que todos os outros cultos sejam definitivamente proibidos.

Ano de 389:

         Teófilo, hoje Santo Teófilo, é nomeado patriarca de Alexandria e inicia imediatamente uma violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos. Tem o apoio do pio imperador Teodósio. Deve-se a Teófilo a destruição, em Alexandria, dos templos de Mitríade e de Dionísio. Essa loucura destruidora culmina em 391 com a destruição do templo de Serapis e da sua biblioteca. As pedras dos santuários destruídos serão usadas para edificar igrejas para a nova religião única, a cristã. Em seguida e para demonstrar que ele é capaz de perseguir também cristãos (na medida em que eles não sejam 100% ortodoxos, ou seja: não acatam as doutrinas não bíblicas impostas pelo então ascendente catolicismo). Teófilo comanda pessoalmente as tropas que atacam e destrói os mosteiros que aderiram às idéias de Orígeno, um pretenso teólogo cristão que foi declarado herege porque afirmava que deus era puramente imaterial.

Portanto, o catolicismo perseguia  os dois extremos: verdadeiros cristãos e falsos cristãos. Para eles, os católicos – ainda assim não denominados, com as suas doutrinas extra-Bíblia e as suas tradições já emergentes eram os parametros para as perseguições...

Ano de 389:

Pela primeira vez, um chefe cristão dita a um imperador, a política a ser seguida: Santo Ambrósio de Milão, levanta-se em plena catedral, e com o sentido de caridade tão particular aos futuros católicos, impõe que o imperador anule a ordem que dera ao bispo de Calinicum, sobre o Eufrates, para que reconstruísse uma sinagoga que ele e a sua congregação tinham destruído. A igreja toma partido assim, desde o princípio, dos incendiários de sinagogas, posição que continuará a manter até ao ano de 1940.

Início dos anos 390:

O piedoso imperador cristão Teodósio interdita progressivamente todos os cultos não cristãos. Pouco a pouco, os templos não cristãos são fechados ao culto, as procissões "pagãs" são proibidas. Esta supressão da liberdade de religião, em proveito exclusivo do cristianismo católico – cristianismo apostatado, causa por vezes revoltas, como a de 408, em Calama, na Numídia. É nessa época que acontecem na Germânia as primeiras execuções de hereges (aqui, autenticos seguidores da Palavra), uma terrível tradição que a igreja desenvolverá com a chamada Santa Inquisição e que a perpetuará até 1826.

Ano de 391:

         Uma multidão de cristãos, guiados por Santo Atanásio e Santo Teófilo, deita abaixo o templo e a enorme estátua de Serapis, em Alexandria, duas obras  da antiguidade pagã. A coleção de literatura do templo também é igualmente destruída.

         Ano de 412:

Cirilo, hoje Santo Cirilo, doutor da Igreja, é nomeado bispo de Alexandria e sucede a seu tio Teófilo. Excita os sentimentos anti-semitas difundidos entre os cristãos da cidade e, a frente duma multidão de cristãos, incendeia as sinagogas da cidade e faz fugir os judeus. Em seguida encoraja os cristãos a tomar os bens dos fugitivos, deixados para trás.

Ano de 415:

Hepatia, a última grande matemática da Escola de Alexandria, filha de Theon de Alexandria, é assassinada por uma multidão de monges cristãos, incitados por Cirilo, patriarca de Alexandria, que será depois canonizado pela Igreja. O motivo dessa ação foi que a brilhante professora de matemática, representava uma ameaça para a difusão do cristianismo, pela sua defesa da Ciência e do Neoplatonismo. O fato de ela ser uma mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos tradicionalistas.

A sua morte marcou uma reviravolta: após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e Alexandria deixou de ser o grande centro de ensino das ciências (pagãs) do mundo antigo. Além do mais, a Ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga senão no início da Revolução Industrial. 

         Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre matemática, física e astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, pelo seu lado, mergulha no obscurantismo, do qual começará a sair mais de um milênio depois. Em reconhecimento pelos seus méritos de perseguidor da comunidade científica e dos judeus de Alexandria, Cirilo será canonizado e promovido a "Doutor da Igreja", em 1882.

         Ano de 536:

         Com a queda do Império Romano Ocidental e transferência deste para Constantinopla (Império Romano Oriental), o cristianismo apostatado assume definitivamente o poder politico-religioso, iniciando-se assim a era papal com absoluto poder...

Séculos V a XV:

A "Idade Média Cristã". Aproveitando o desaparecimento das grandes bibliotecas romanas e na ausência quase total da atividade editorial na Europa, a igreja obtém, de fato, um monopólio sobre o conjunto da escrita e da informação. O povo é deixado propositadamente na ignorância, a leitura da Bíblia é desencorajada mesmo no caso de se ter acesso a um exemplar. Pouco a pouco, a igreja impõe o seu domínio sobre a sociedade. A inquisição, o celibato dos padres (Nota 1), o caráter obrigatório de casamento antes de qualquer relação sexual, são todas instituições que datam dessa época. É também nessa época que se desenvolve o que se tornará uma das mais ricas tradições cristãs: queimar pessoas vivas. Cerca de um milhão de "bruxos" (na grande maioria eram verdadeiros cristãos que teimavam em seguir apenas os ensinamentos das Sagradas Escrituras) serão torrados durante a Idade Média.

         As cidades concorrerão para tentar bater recordes de quantidade de bruxos queimados por ano. Um recorde imbatível foi estabelecido pela cidade de Bamberg, sede do episcopado, que conseguiu “queimar” 600 feiticeiros num só ano. Um grande número de membros da igreja atual ainda lamenta o fim dessa época, quando a igreja dominava totalmente a vida social. Será que ainda hoje, católicos (e outros cristãos) lembram com saudade, a pretensa "espiritualidade" da época, “a arte das torturas” que deu grande ênfase à morte - assunto que sempre apaixonou os cristãos, e a música envolvente?

Ano de 804:

O imperador cristão Carlos Magno converte grande número de saxões, propondo-lhes a seguinte escolha: converter-se ao catolicismo ou serem decapitados. Vários milhares de cabeças caem, com a benção da igreja: os sacerdotes presentes participam da ação do imperador.

Século IX:

Cisma no oriente: O patriarca de Constantinopla pretende que se deve utilizar o pão com levedura, para a Eucaristia. O Papa, bispo de Roma, afirma que se deve usar pão sem levedura (interessante notar que ainda hoje, muitas igrejas evangélicas, usam miolo de pão levedado em suas Santa Ceias, desconhecendo totalmente que o fermento é o símbolo máximo do pecado).

Com base neste problema de capital importância, a cristandade se divide, e os dois patriarcas, de Roma e de Constantinopla, se excomungam mutuamente. O Cisma vai provocar mortes até os anos 90 deste último século do milênio. (guerras nos Balcãs, ex-Iugoslávia, de católicos contra ortodoxos).

Ano de 1182:

Os "pogroms" – termo genérico que designa movimentos populares contra os judeus, sobretudo na ex-URSS, mobilizados por campanhas populares anti-semitas ou por condicionamentos políticos – latinos em Constantinopla. Na cidade do piedoso patriarca que “come pão levedado”, estabeleceu-se, desde o início de século XII, uma colônia de mercadores "latinos", essencialmente originários de Veneza, Gênova, Pisa e Amalfi. Mas essas pessoas tinham tudo para desagradar aos prelados ortodoxos: além de utilizarem o pão sem levedura para a Eucaristia, fazem o sinal da cruz no sentido errado, da esquerda para a direita e não da direita para a esquerda! Os popes (líderes ortodoxos) excitam a população e então no mês de maio de 1182, a multidão guiada por eles, ataca os latinos: vários milhares deles, homens, mulheres e crianças são trucidados.

Séculos XI e XII:

Em face do crescimento da população da Europa, a Igreja propõe um método de controle populacional "natural": as cruzadas. O apelo às cruzadas foi lançado em 1095. Em 1099 Jerusalém é "libertada": logo que as tropas cruzadas entraram na cidade, o governador muçulmano rendeu-se sob a promessa da população civil ser poupada. Claro, a totalidade da população (que compreendia essencialmente judeus e muçulmanos) é passada pelas armas nas horas seguintes, mas com o cuidado de antes violentar todas a mulheres e decapitar as crianças – já vimos isto neste fim de milênio, não é? Estima-se em 70.000 o número de civis massacrados. A última fase do massacre passa-se nas sinagogas e mesquitas da cidade, onde os habitantes aterrorizados se refugiaram: pensam que o caráter religioso dos locais possa inspirar os piedosos cruzados a clemência. Nada disso acontece: os cruzados entram e transformam os locais de culto em vastas carnificinas. O massacre de milhares de civis amontoados na grande mesquita da esplanada do templo dura várias horas. "Tudo o que respira" na cidade foi morto, informam com orgulho os comandantes dos cruzados. Tudo em “nome” de Cristo!

         Ano de 1204:

         A 4ª Cruzada fez uma parada em Constantinopla, na época a maior cidade cristã. Mas os cristãos sabem fazer entre eles o que fazem aos outros: durante três dias, Constantinopla foi posta a saque, com uma orgia de violências indescritíveis.

         Anos de 1208 a 1244:

Cruzada dos Albigences: por iniciativa do papa Inocêncio III, uma cruzada é preparada. Em 1209, como alguns "hereges" se haviam misturado com a população de Beziers, o duque Simon de Monfort deu uma ordem que lhe assegurou a posteridade: "Matem-nos todos, deus reconhecerá os seus". Toda a população, homens, mulheres e crianças são passados pelas armas. A Provence e a região de Toulouse ficaram despovoadas após essa guerra que foi dirigida contra a população civil, com uma ferocidade sem precedentes desde as invasões bárbaras.

         Anos de 1226 a 1270:

Luís IX, rei de França. Finalmente um católico, de reputação piedosa e íntegra, acende à coroa de França. A igreja o canoniza em 1290, em reconhecimento de seus méritos que, ninguém duvida serem excepcionais. De fato, durante o seu reinado, São Luís lançou duas cruzadas, que terminaram de modo catastrófico: pouco importa, é a intenção (de matar e de pilhar) que conta, aos olhos da misericordiosa igreja católica! No plano interno, este São Luís faz com que a justiça puna de modo sistemático os blasfemadores que são postos nos pelourinhos e tem as suas línguas atravessadas por ferros em brasa.

Ano de 1231:

A fundação da Inquisição: O Santo Ofício, durante toda a sua história, queimou mais de um milhão de pessoas, essencialmente “hereges”, judeus e muçulmanos convertidos e também os "bruxos". A última feiticeira será queimada em 1788. O último "herege" chegará a sua vez em 1826. A inquisição e os seus imitadores protestantes queimam também médicos e cientistas, desde que haja uma oportunidade. 

         A igreja nunca se arrependeu dos atos da Inquisição e até garantiu a continuidade histórica da instituição até aos nossos dias, limitando-se apenas a mudar-lhe o nome: será necessário esperar que Pio X, em 1906, faça que o "Santo Ofício da Inquisição" seja renomeado como "Santo Ofício", e em 1965, para que seja rebatizado como "Congregação para a doutrina da fé". Enfim em 1997, o papa abre os arquivos do Santo Ofício, e historiadores escolhidos a dedo, são autorizados a fazer pesquisas. As estimativas do número total de vítimas da inquisição são então revistas para cima, havendo um consenso que roda hoje em torno de um milhão de pessoas executadas, ao qual é necessário acrescentar as inúmeras pessoas torturadas e com todos os seus bens apreendidos...

         Ano de 1251:

         O papa Inocêncio IV autoriza enfim a inquisição a praticar a tortura. A obtenção das confissões de culpa é grandemente facilitada. A inquisição podia aplicar, com base em confissões arrancadas através de tortura, penas indo duma simples oração ou dum jejum até a confiscação dos bens e mesmo prisão perpétua. Mas ela não podia condenar a morte. Com a subtileza característica da igreja católica, a inquisição podia "passar" um herege para a justiça comum, que o levará a morte na fogueira, com base na confissão obtida pela igreja, mesmo com tortura. Essa sutilidade permitirá a igreja afirmar que ela nunca matou ninguém... Foi o Estado!

         Anos 1347 a 1354:

         Em toda a Europa reina a Morte Negra, a primeira grande epidemia de peste no continente. Os prelados católicos logo descobriram os culpados: os judeus teriam envenenado os poços de água. Esse boato espalha-se por toda a Europa e inúmeros "pogroms" acontecem. Na Alemanha contam-se 350 comunidades judias totalmente destruídas pelos "pogroms", nesse período. Na Itália, em Milão, as autoridades civis e eclesiásticas, depois de terem executado no braseiro os "untori" judeus, inauguraram uma coluna comemorativa para lembrar o seu feito. Essa coluna passou a História com o nome de "Coluna infame", quando, no século XIX, o romancista Manzoni teve, em primeira mão, a coragem de denunciar esse monumento da perversão religiosa da igreja romana.

         Ano de 1483:

         Tomás de Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela. Esse monge dominicano (Nota 2) faz uma ampla utilização da tortura e da confiscação dos bens das vítimas. Estima-se em 20.000 o número de pessoas queimadas durante o seu mandato.

         Ano de 1487:

         Dois monges dominicanos alemães, Jacob Sprenger e Heinrich Institoris publicam o "Malleus Malleficarum": trata-se dum espesso volume de 400 páginas que é um guia (claro que aprovado pela hierarquia católica) de caça às bruxas. Lá se pode aprender a identificá-las (p. ex. se uma mulher acariciar um gato preto e a centenas de metros alguém se sentir mal, etc), e a torturá-las para as fazer confessar, e como os inquisidores podem se absolver mutuamente, depois duma sessão de tortura. A obra afirma também que negar a existência da feitiçaria é uma heresia muito grave, passível de morte na fogueira. Durante dois séculos e meio, na Alemanha, depois da publicação do Malleus Malleficarum, negar a bruxaria podia levar ao braseiro. O manual foi um "best-seller"...

         Ano de 1492:

         O rei "muito católico" e a rainha "muito católica" (títulos dados pelo papa em pessoa!) de Espanha, expulsam os judeus. Eles podem escolher se converter, para então poderem ser justiçados pela inquisição (que queimará grande número deles) ou partir. Mais de 160.000 judeus saíram da Espanha. A hierarquia católica não fica indiferente a essa medida duma crueldade assustadora: ela aprova a medida, e o papa encoraja os outros soberanos europeus a se inspirarem no exemplo espanhol. Em toda a Europa os padres católicos se mobilizam para obrigar os governos a proibir a entrada dos judeus expulsos. Os judeus que escolheram se converter, são perseguidos pela inquisição com uma impressionante determinação: até ao século XVIII, far-se-á o "Teste da banha de porco" aos judeus convertidos e seus descendentes: uma salada com pedaços de carne e banha de porco é apresentada ao "convertido". Se for notado que ele não comeu a carne suína, será queimado como "falso convertido". Esse método será também aplicado aos muçulmanos e seus descendentes (Muitos, autênticos cristãos, seguidores das Sagradas Escrituras, foram pegos por este estratagema diabólico, pois Deus em Sua sabedoria, orientou-nos o que comer e o que não comer em Levítico 16, sempre pensando em nosso bem estar – hoje, a ciência reconhece a sabedoria divina, pois sabe o quão mal faz a gordura animal ao organismo humano).

         Se a expulsão dos judeus de Espanha foi a maior do gênero registrada na História, não foi a primeira. Na França, os prelados católicos tinham já conseguido a expulsão dos judeus em 1306, e que foi logo revogada, antes de ser confirmada em 1394. A Inglaterra já tinha procedido à expulsão em 1290. Em 1496, Portugal imita o seu poderoso vizinho, expulsando também os judeus. Muitos judeus, para fugirem da Inquisição trocam os seus nomes característicos por nomês comuns aos portugueses, adotando nomes de arvores, utensílios, etc. (ex: laranjeira, machado...).

         Ano de 1493:

         O primeiro índio da América no paraíso: Quando Cristóvão Colombo, que teve o cuidado de levar um monge nas bagagens, chega a América, ele encontra os índios que ele descreverá como gente amigável e solícita. Prende 12 deles e os leva para Espanha. Na chegada, um deles fica doente: antes da sua morte, é batizado rapidamente, o que permite a corte dos muito católicos reis exultar, porque um indígena do Novo Mundo acabava de entrar no paraíso cristão. Esta triste história marcará o início da trágica cristianização dos índios americanos, onde os episódios dos redutos do Paraguai e as perseguições aos índios Pueblos serão alguns dos mais trágicos. A evolução desencadeada pelos descobrimentos percorreu caminho semeado de crimes e atrocidades: conquista sangrenta e colonização das Américas, genocídio de povos e de culturas, tráfico de 12 milhões de africanos, imperialismo na África e Ásia. Não obstante, o processo posto em marcha pelas descobertas rompeu, de uma vez por todas, a falta de contato e conhecimento entre civilizações e culturas. Tudo feito com apoio da "santa igreja católica".

         Ano de 1499:

         Acontece neste ano o maior "auto da fé", que a História registra. Em um só auto de fé, o inquisidor Diego Rodrigues Lucero queima vivos nada menos que 107 judeus convertidos ao cristianismo (para poderem entrar no paraiso), em Córdoba.

         Século XVI:

         O drama dos castrados: A igreja, que tinha proibido que mulheres cantassem no coral das igrejas, enfrenta um problema trágico: como não torturar os ouvidos dos piedosos prelados de cristo, privando-os das vozes sopranas, tão importantes nos coros para louvar o amor a deus? Uma solução bárbara é encontrada: castrar jovens meninos cuja voz tenha sido considerada bela. Nos corais da Santa Igreja católica não nunca faltarão assim  os sopranos e contraltos...Esta prática bárbara só terminará em 1878, por ordem do Papa Leao XIII. Mas foi mantida ainda durante o século XIX, ao ponto de Rossini, quando ele compôs a "Pequena missa solene", escrever, com naturalidade, que serão suficientes para executá-la, "um piano e uma dúzia de cantores dos três sexos, homens, mulheres e castrados".

         Ano de 1506:

         "Pogrom" de Lisboa: 3000 judeus são trucidados pelos piedosos católicos, incitados pelos prelados.

         Século XVI:

         Júlio II della Rovere, papa. Hábil chefe militar, veste uma armadura durante a missa, quando então um monge lhe diz que o traje não é conveniente. “Quando se trata de conquistar terras, Deus não faz questão do traje, mas da fé do seu servidor", lhe responde, passando assim à História. Deus lhe permitiu, de fato, conquistar a cidade de Bolonha, que foi, como deveria, posta a saque...

 

         Ano de 1521:

         Inspirado pelo Espírito Santo,  um monge alemão, Martin Luther, traduz do latim para o alemão, o "Novo Testamento", em algumas semanas. O acontecimento pareceria insignificante. Mas não é, pois ele inaugura o maior cisma da cristandade: durante os séculos seguintes, os cristãos vão-se massacrar mutuamente ainda com mais entusiasmo do que quando eles matavam e queimavam os não-cristãos, os hereges, as bruxas, os judeus e muçulmanos convertidos, etc.

         Apesar da imensa luz que levou Lutero a separar-se da Igreja-mãe, ele ainda trouxe muitas doutrinas católicas para dentro do mundo protestante... Lutero escreverá e dirá diversas vezes que era necessário queimar as sinagogas e escorraçar os judeus das cidades: ele se situa assim dentro da tradição dos pais da igreja católica, e que será mantida até ao século XIX pela inquisição e depois no século XX, pelos “camisas negras” de Mussolini e dos “SS” nazistas de Hither. Ainda hoje certas tradições heréticas, advindas da igreja-mãe, se fazem presentes dentro das grandes denominações protestantes, tais como o estado dos mortos, do sofrimento eterno, etc.

         Ano de 1527:

         Saque de Roma. Os soldados protestantes massacram a totalidade da população de Roma (umas 40.000 almas) e pilham a cidade. O papa é salvo pelos guardas suíços. Ele se fecha com eles no Castelo de Santo Ângelo, enquanto a população é massacrada. Ele passou um grande medo. Os suíços ganham assim uma fama profissional no estrangeiro, o que se perpetua até hoje – são eles os responsáveis pela segurança do Vaticano; a igreja continua a não portar armas...

         Ano de 1553:

         Calvino (fundador da Igreja Prebiteriana; que para diferir da Igreja católica apenas não cultuam os santos e não adotam o celibato), que condenou os excessos da Igreja Católica, faz decapitar o livre-pensador e médico Michel Servet, que havia descoberto a circulação sanguínea. Esse é somente um dos 15 hereges que o reformador fez executar durante a sua gestão sobre Genebra.

         Calvino teve um papel muito ativo na prisão e depois na condenação à morte de Michel Servet. Primeiro ele trocou correspondência com ele e depois que o médico, fugindo da inquisição, chega a Genebra, manda prende-lo. Calvino havia dito ao seu amigo, o reformador Farel, que se Servet entrasse em Genebra, de lá não sairia vivo. Ele manteve a sua promessa e interveio pessoalmente no julgamento pedindo a sua execução. A única clemência dada a Servet foi a de decapitá-lo em vez de ser queimado vivo.

         Ano de 1571:

         A invenção da imprensa permite que um número crescente de pessoas se informe. A igreja reage criando o Índex (Index Additus Librorum Prohibitorum): essa instituição editava regularmente a lista dos livros proibidos. A última edição do índex foi publicada em 1961...

         Anos de 1566 a 1572:

         Pio V, papa. Este santo da igreja católica, vangloria-se publicamente diversas vezes de ter, durante a sua carreira de inquisidor, colocado fogo com suas próprias mãos de mais de 100 fogueiras de hereges que ele mesmo acusara, confundira e condenara. 

         Publica também uma nova edição do catecismo oficial da igreja, no qual o amor ao próximo e a misericórdia ocupam um lugar “importante”.

         Anos de 1547 a 1593:

Guerras de religião na França: As igrejas protestantes versus catolicismo  entregam-se a uma guerra civil sem perdão, interrompida por diversas pazes e tréguas temporárias. Durante uma delas, teve lugar o massacre de 20.000 protestantes, homens, mulheres e crianças, numa só noite, a tristemente célebre Noite de S. Bartolomeu (1572).

Fim do século XVI até ao início do século XVIII:

         Conversão forçada dos índios Pueblo. Subindo pela costa do golfo do México, os exploradores espanhóis, sempre acompanhados de monges e padres, entram em contato com a tribo dos Pueblo, no território que hoje pertence ao estado americano do Novo México: diferentes dos índios nômades das planícies do Norte e de outros indígenas mais combativos que os espanhóis encontraram no México e na América do Sul, os índios Pueblo vivem em aldeias (los pueblos) de casas de tijolos com 2 ou 3 andares, são pacíficos e praticam a agricultura. Seguem uma religião na qual se venera o "Pai do Céu" e a "Terra Mãe", temem os demônios (os Skinnwalkers) que andam pela crista das montanhas ao pôr do sol, veneram os corvos como reencarnação dos seus antepassados. Eles tem também um rico templo de deuses semelhantes aos dos gregos, sendo o seu deus principal a mulher-aranha. As cerimônias são celebradas em pequenas igrejas familiares, as Kivas. Estes pacíficos agricultores logo se tornaram o objeto das atenções dos padres espanhóis, impacientes por substituir o culto ao Pai Céu e da Mãe Terra por aquele de cujo deus se bebe o sangue durante as cerimônias: os pajés índios são acusados de bruxaria e executados. As Kivas são destruídas pelos militares hispânicos. Os cultos religiosos tradicionais são proibidos, sob pena de mutilação. Índios surpreendidos a celebrar uma cerimônia tradicional terão um braço ou um pé cortados. Apesar disso tudo, alguns índios continuarão a fazer os seus cultos, em segredo e a noite. Os padres católicos usarão esse fato nos seus sermões, o qual os índios ainda hoje citam com amargura: os padres diziam que a religião dos índios era a das trevas, pois era sempre feita durante a noite, enquanto que o cristianismo era a religião da luz, pois se come a carne e se bebe o sangue do deus cristão em pleno dia... Diversas revoltas sangrentas pontuam a cristianização dos Pueblo. Essa perseguição religiosa só cessará depois da anexação do território pelos EUA, em 1847.

Ano de 1600:

Giordano Bruno é queimado vivo em Roma, condenado por heresia. Ele havia ousado definir o Universo como infinito e admitido a hipótese da existência de formas de vida fora da Terra. Era demais para a igreja. Depois de 8 anos de processo, durante o qual lhe são arrancadas confissões, sob tortura, ele é condenado à morte como "herege obstinado e ímpio". Ele se defende tentando mostrar que as suas idéias não estão em contradição com as doutrinas cristãs, mas em vão. Ele foi queimado vivo, em público, em Roma, no Campo dei Fiori. Tiveram o cuidado de lhe cortar a língua antes de o enviar ao local da execução, para evitar o risco de que as suas palavras emocionassem a multidão que veio assistir ao espetáculo. O seu principal acusador, o cardeal Bellarmino, será mais tarde canonizado e em 1930, proclamado "Doutor da Igreja".

É interessante notar que, se no caso de Galileu, a igreja católica expressou o seu arrependimento no fim do séc. XX, com a sua reabilitação em 1992, nunca se arrependeu da execução de Bruno. Pelo contrário, ela  opôs com veemência a instalação duma estátua de Giordano Bruno, em 1889. Em 1929, o papa pediu a Mussolini para que destruísse essa estátua, antes de canonizar e depois nomear "Doutor da igreja" o cardeal Roberto Bellarmino, acusador de Giordano Bruno.

         Ano de 1609:



         Expulsão dos mouros de Espanha: Depois da expulsão dos judeus de Espanha, a inquisição se aborrecia um pouco nesse belo país. Lança então a caça aos "morescos", os árabes convertidos ao cristianismo. Há a suspeita de serem falsos convertidos e são executados todos os que se recusam a beber vinho ou comer carne de porco, ou que sejam limpos demais. Com efeito, o Islamismo, contrariamente ao cristianismo, prescreve lavagens periódicas. A higiene nunca foi tão perigosa como no séc. XVI na Espanha! 

         Enfim, em 1609, temendo talvez ter deixado passar alguns falsos convertidos, a inquisição consegue do rei a expulsão dos "morescos" para o Norte da África. O número dos expulsos é mal conhecido: as estimativas variam entre 300.000 e 3.000.000. Os expulsos chegam a terras islâmicas, onde o Corão prevê a pena de morte para os que renegaram Maomé...

Ano de 1633:

Processo de Galileu: Por ter duvidado da teoria geocêntrica de Ptolomeu, (que diga-se de passagem, não era cristão), Galileu Galilei é obrigado a retratar-se: são-lhe mostrados os instrumentos de tortura que seriam usados se ele insistisse. O processo de Galileu só foi reaberto para revisão pelo papa João Paulo II, e Galileu é reabilitado em 1992.

As suas obras já tinham sido colocadas no Índex em 1616. Passou o resto da sua vida confinado na sua casa (prisão domiciliar). Foi a sua reputação internacional de cientista que lhe evitou conseqüências mais graves.

Ano de 1618 a 1648:

Guerra dos 30 anos. Os muito católicos reis de Habsbourg, forçam a conversão dos seus súditos protestantes da Boémia, iniciando a maior guerra que o continente europeu tinha conhecido. A população da Alemanha é reduzida a metade. Numerosas cidades são devastadas. Epidemias de peste assolam toda a Europa Central, desde a Lombardia até a Prússia.

Trata-se realmente duma guerra religiosa, embora as igrejas tenham tentado fazer crer que se tratava dum conflito político: a guerra iniciou-se por conflitos religiosos e pela ação de reis estrangeiros, como Gustavo II da Suécia, que intervieram por razões de convicção religiosa. O caso de Gustavo II é particularmente significativo, pois obrigava os seus soldados a cantar canções religiosas todas as noites, embora eles fossem uns terríveis saqueadores. O exército sueco ganhou o título de "Schrecken des Krieges", pela população alemã, que teme a pilhagem dos suecos ainda mais do que as feitas pelos exércitos dos Habsbourg.

Segunda metade do séc. XVIII:

O assunto das reduções do Paraguai. Este caso é particularmente interessante, pois aqui os católicos se massacram e se excomungam entre eles. Os jesuítas haviam estabelecido no Paraguai um pequeno império particular feito de reduções (redutos), ou seja pequenas aldeias fortificadas na floresta, onde viviam os índios convertidos ao cristianismo, mas uma correção das fronteiras coloca alguns desses redutos em território português. [Nestas correções os índios eram obrigados a seguir as normas ditadas pelo jesuítas] Ora, Portugal, país católico e cristão, mantém na época a tradição da escravatura: os portugueses pensam então roubar aos jesuítas os índios para depois vendê-los como escravos.

O papa intervém, excomunga os jesuítas das reduções. Depois, um exército, com os canhões e espadas benzidas pelos padres de serviço, ataca as reduções, massacra os jesuítas e toma os índios como escravos. Um Te Deum solene celebra a vitória, como se deve.

Pouco depois o papa interdita a ordem dos jesuítas, culpada de ser muito inteligente e racional, e sobretudo de não ter servido com lealdade a família de Bourbon, reis de França e de Espanha, monarcas absolutos e grandes amigos da igreja católica.

Ano de 1766:

Em pleno século das luzes, um jovem de 19 anos, o Cavaleiro de la Barre, passa "a vinte passos duma procissão, sem tirar o chapéu". É preso e torturado. Finalmente é decapitado depois de lhe terem cortado a língua. O seu corpo é depois colocado sobre uma fogueira e queimado junto com um exemplar do Dicionário Filosófico de Voltaire, diante duma multidão entusiasmada.

Ano de 1788:

No Cantão de Glaris, na Suíça, os católicos afirmam que "a última bruxa foi queimada", porém, esta execução da Inquisição não foi a última, continuar-se-á queimando hereges até 1826.

Ano de 1793;

Kant, professor de Filosofia em Konigsberg e estrela internacional da filosofia moderna, depois da publicação da "Crítica da Razão Pura", publica "A religião nos limites da Razão", onde ele coloca as doutrinas cristã a prova do raciocínio e do "imperativo categórico". É demais para os piedosos reis da Prússia, que empurrado pelos prelados protestantes, intervém e Kant é forçado a retratar-se publicamente, sob pena de perder imediatamente o seu posto na universidade de Konigsberg. Todos os professores universitários são obrigados a assinar, sob pena de dispensa imediata, um documento onde prometem não citar os ensinamentos de Kant com relação à religião. Como no caso de Galileu, a fama internacional de Kant o salva de conseqüências mais severas. Kant ainda pensa em se exilar, mas neste fim de século, há poucos céus clementes para pensadores que ousaram criticar aspectos da ideologia cristã. Assim acabará os seus dias em Konigsberg.

 

Ano de 1826:

O último herege é queimado vivo, pela inquisição espanhola. Uma rica tradição cristã termina. Daí para frente, a igreja recorrerá a meios mais sutis para matar,como proibir a assistência a mulheres que devem abortar, sabotando o planejamento familiar nos países pobres, proibindo os preservativos como modo de lutar contra a Aids, etc.

Ano de 1847:

Guerra do Sonderbund. A Suíça é dilacerada por uma guerra religiosa. Os cantões católicos, cujos governos estão muito influenciados pelos conselheiros jesuítas, fundam uma aliança militar - o Sonderbund, que exige a anexação aos cantões católicos de regiões maioritariamente protestantes. Chamam os monarcas católicos da Áustria em seu auxílio, depois iniciam as hostilidades. Somente uma vitória rápida das tropas federais/protestantes permitiu evitar uma intervenção austríaca, que levaria a um conflito de extensão européia.

Os protestantes por seu lado, encetam uma feroz "Caça aos católicos", nos campos de Genebra. E Cristo, como fica?

Os jesuítas, considerados responsáveis pela guerra, são expulsos da Suíça, e essa expulsão valeu até 1970.

Ano de 1848:

A população de Roma revolta-se contra a ditadura papal. O papa é expulso. Volta ao poder em 1849, devido a ação das tropas francesas enviadas por Luís Napoleão Bonaparte, presidente da república francesa. Os opositores são fuzilados. O Estado da Igreja volta a ser uma monarquia absoluta, cujo soberano é o papa.

Ano de 1871:

O papa excomunga todo aquele que participar de qualquer eleição do estado italiano, que é classificado como "diabólico", porque retirou aos papas o seu poder temporal. Essa sentença de excomunhão automática não impedirá o papa de abençoar, alguns anos depois, a fundação do "Partito Populare", de inspiração católica e fundado por um padre.

Ano de 1881:

Os "Pogroms" russos começam. Incitados pelos prelados ortodoxos, que difundiram um boato de que o Czar Alexandre II teria sido assassinado por um judeu, multidões se juntam em mais de 200 cidades russas e destroem os bens dos judeus. Os pogroms tornar-se-ão comuns na piedosa Rússia Czarista, sobretudo entre 1908 e 1917. O mais violento dentre eles teve lugar em Kishinev, em 1913: as autoridades civis e religiosas da cidade incitam a multidão que ataca violentamente os judeus. durante dois dias a multidão mata 45 judeus, fere 600 e pilha 1500 casas. Os responsáveis (popes e políticos) nunca foram incomodados pela justiça.

Ano de 1889:

Numa Roma livre do jugo papal, no dia 9 de junho, é inaugurada a estátua de Giordano Bruno, no Campo das Flores. O papa Leão XIII, sofredor, passará o dia todo de jejum aos pés da estátua de S. Pedro (Você sabia que esta estátua em sua origem era a estatua de Júpiter?). A imprensa católica dispara: fala de "orgia satânica", descrevendo a manifestação da inauguração; o "triunfo da sinagoga, dos arquibandidos da Maçonaria; dos chefes do liberalismo demagógico"; "o máximo da ignorância e da malignidade anti-clerical".

Anos de 1918 a 1945:

Os anos do compromisso: A igreja católica apóia ativamente o crescimento do totalitarismo na Europa. Na Áustria, o seu apoio ao austro-fascismo é total. Na Itália, ela assina com o regime fascista uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado: os italianos podem de novo votar sem serem excomungados, pena que isso de pouco serve em período de ditadura. A igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações: todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a AC não se deixe tentar por ações antifascistas.

Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita "Patti Lateranensi", é qualificado pelo papa como "o homem da providência". Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa, a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano.

Essa bela harmonia vai resistir mesmo ao momento de tensão causado pela estátua de Giordano Bruno. O papa aproveita a concordata para pedir ao seu amigo ditador que destrua a estátua erigida em 1889. O ditador, que tem um filho com o nome de Bruno, toma a defesa do livre-pensador e declara à Câmara de Deputados: "A estátua de Giordano Bruno, melancólica como o destino desse monge, ficará onde ela está. Tenho a impressão que seria se encarniçar contra esse filósofo que, se equivocado, persistiu no erro; no entanto já pagou". Para mostrar que não se arrepende de nada, a igreja canoniza então Roberto Bellarmino, o acusador de Giordano Bruno, nomeando-o "Doutor da Igreja".

Na Alemanha, em janeiro de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um prelado católico (Pralat Kaas), vota plenos poderes para Hitler: Este último, pôde assim, atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos civis garantidos pela Constituição. Com uma caridade toda cristã, o bom prelado aceita também fechar os olhos para os discutíveis processos nazistas, como a prisão dos deputados comunistas antes da votação. Depois a igreja começa a negociar uma nova concordata com a Alemanha: nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, até então, o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade ele tinha-os, ajudado a chegar ao poder. Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação da hierarquia católica, deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único.

Hitler declara-se católico no "Mein Kampf", o livro onde ele anuncia o seu programa político. Também afirma que está convencido ser ele um "instrumento de Deus". A igreja católica nunca colocou no seu Índex o "Mein Kampf", mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que o programa anti-semita do futuro chanceler não desagradava a igreja. Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs, e re-introduzindo a frase "Gott mit uns" (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão.

Em 1938, as SS e SA organizam a "Noite de Cristal": com trajes civis, os milicianos nazistas atacam sinagogas e lojas pertencentes a judeus. A população alemã está horrorizada e aterrorizada. O bispo de Freiburg, monsenhor Gröber, declara então, em resposta às perguntas sobre as leis racistas e os pogroms da noite de cristal: "Não podemos recusar a ninguém o direito de salvaguardar a pureza da sua raça e de elaborar medidas necessárias a esse fim". 

         Na Espanha, um general tenta um golpe de estado militar, que aborta mas degenera em guerra civil. A igreja o apóia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa Te Deum pelas suas vitórias contra o governo republicano legítimo. A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus piedosos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo. A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica.

         Na França, a igreja declara, desde 1940, que "Petain é a França": ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria ao do estado francês que prega a Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram.

         Durante a 2ª guerra mundial, o Vaticano estava ciente do extermínio dos judeus pelos nazistas. Saber-se-á, após a guerra, que o papa diversas vezes esteve para fazer um pronunciamento público, mas que  se absteve essencialmente pela sua comunistofobia e achando que uma vitória russa seria "pior". No entanto ele chorou em 1942, junto às ruínas de Roma, bombardeada pelos aliados. Também ele se esquece de mencionar que o seu aliado político Mussolini tinha solicitado a Hitler para ter "a honra de participar dos bombardeamentos sobre Londres", é verdade que o papa não habitava em Londres...

Ano de 1948:

O papa declara que todo aquele que votar nos comunistas ou que ajudar esse partido de qualquer maneira, será automaticamente excomungado. Essa medida divide as famílias, provoca exclusões socialmente intoleráveis para muitos e obriga a clandestinidade de numerosos comunistas nas zonas rurais.

Os curas italianos apressaram-se a traduzir essa decisão em fatos, e pedem que as suas ovelhas votem no grande partido anticomunista (DC - Democrazia Cristiana). O partido DC vai-se afundar logo em seguida na corrupção generalizada nos anos 90.

Anos de 1961:

Última edição do índex (Índex Additus Librorum Prohibitorum), que cita autores cujas obras são proibidas aos católicos entre outros: Jean-Paul Sartre, Alberto Moravia, André Gide.

Anos 80:

Depois de um período de aparente liberalização, o papa João Paulo II chega a cabeça da maior religião do mundo e rende-se às mais terríveis tradições da igreja.
         A sua condenação do preservativo, como modo de luta contra a Aids, provoca um grande número de mortos, difícil de estimar. Pratica uma política ativa de sabotagem às medidas de controle da natalidade no terceiro mundo. As conseqüências são difíceis de contabilizar, mas podem-se medir em termos de fome, miséria, criminalidade e falta de assistência médica nos continentes mais pobres - América do Sul e África. Na sua caça aos hereges, o papa suspende "A divinis", dois teólogos alemães que tinham ousado duvidar, um da infalibilidade papal e outro da imaculada concepção de Maria. (Nota 3).

Anos 90: guerras de religião na Iugoslávia:

A Iugoslávia era, nos anos 80, uma das terras favoritas para férias balneárias dos europeus. A publicidade iugoslava da época vendia o caráter multireligioso do país como um argumento turístico, pois se podia ver em Mostar e em outras belas cidades, as mesquitas e as igrejas lado a lado. Mas o país se afundou numa série de guerras civis que se querem descrever como guerras "étnicas", quando na verdade se trata de guerras religiosas. O caso da guerra da Croácia é o mais flagrante. Sérvios e croatas tem a mesma origem étnica e até a mesma língua, o Croata-servo.

   O mais irônico é que o croata-servo (servo-croata, escrito em caracteres latinos), é hoje a língua oficial dos soldados do exército Iugoslavo que combateu em Kosovo contra a OTAN, depois de ter lutado contra os croatas no início dos anos 90. Mas a religião separa os croatas dos Sérvios: os croatas foram cristianizados por Roma e são católicos. Os sérvios foram cristianizados pelos bizantinos e são ortodoxos. Quando Milosevitch começa a agitar o espectro da "Grande Sérvia", a Croácia declara a independência. Imediatamente o Vaticano e a República Federal da Alemanha cujo chanceler se declarava um católico convicto, reconhecem a Croácia católica como estado independente. O Vaticano mandou para todo o mundo anúncios para que os países reconhecessem o novo estado católico. O papa multiplica os apelos, as preces e as missas pela independência da Croácia. Durante esse tempo, o ditador croata, antigo oficial superior do regime comunista e também católico praticante, deu férias para todos os seus funcionários ortodoxos, isto é, sérvios. Depois escolheu como bandeira nacional a antiga insígnia dos Oustachis, que entre 1940 e 44 tinham praticado um genocídio de cerca de 600.000 sérvios. A guerra civil iniciou-se.

         Finalmente termina essa guerra, e o papa beatifica o cardeal Stepinac que havia qualificado Ante Palevitc, o ditador Oustachi durante a ocupação de 1940/44, de "Dom de Deus", para a Croácia e o havia apoiado ativamente.

         A guerra da Iugoslávia continuou depois na Bósnia, onde os membros dos três grupos religiosos (ortodoxos, muçulmanos e católicos) se enfrentaram em uma série de combates triangulares, tendo a população civil como a principal vítima. Depois a guerra passou para o Kosovo, província agrícola sem interesse estratégico, e todos sabemos o que se passou.

         As guerras da Iugoslávia são um caso emblemático da catastrófica intolerância que não deveria ser típica das religiões cristãs: as comunidades religiosas se enfrentam, neste final de século, em nome de religiões que elas receberam por ocasião da expansão dos diversos impérios (Romano, Bizantino e Otomano) desde a idade-média.


1 - Para evitar problemas de herança, dos bens da Igreja.
2 - Dominicanos e franciscanos dominavam a Inquisição.
3 - No Brasil também interditou e puniu diversos padres mais ousados, como Leonardo Boff.

 

 

 

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