Congregacionalistas!

         A Congregação Cristã no Brasil, fundada em 1910 pelo italiano Louis Francescon, durante anos esteve entre as igrejas que mais cresceram no Brasil... Ela ensina que:

 

         1 – A igreja não precisa de pastores além de Jesus – Heb. 6:20.

         2 – As mulheres cristãs devem usar o véu durante o culto – I Cor. 11:1-16.

         3 – Os crentes devem se saudar com ósculo santo – Rom. 16:16.

         4 – O Evangelho não deve ser pregado fora dos locais habituais de culto – Mat. 13:54.

         5 – Os “pregadores” não devem estudar nem preparar para a pregação, pois o Espírito Santo colocará na sua boca as palavras certas no momento certo – Mat. 10:19, 20.

         6 – O dízimo restringe-se aos dias do Antigo Testamento...

 

Diante destas doutrinas, são tão zelosos, a ponto de serem vulneráveis ao fanatismo e ao extremismo, o que é combatido pelas Sagradas Escrituras. Atualmente tende a Congregação para caminhar-se para o espiritismo – a religião de satanás (Gen. 3:4-7). Seus membros tendem a abandonar as bases bíblicas e depender da inspiração individual – revelação – e das práticas fanáticas de seus líderes locais, especialmente das que se relacionam com os chamados “dons espirituais” a tal ponto de um membro que não “for batizado” pelo Espírito Santo (falando em línguas) tornar-se, em desespero, um membro “menor”, “inferior”, “separado” dos demais “escolhidos” ignorando que Deus não faz acepção de pessoas - Atos 10:34. Ignoram também que Jesus ao subir aos céus disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” – Mat 28:19.  Portanto, todos nós, ao sermos batizados o somos também pelo Espírito Santo...

Podemos notar que, não obstante a Congregação, algumas vezes, usar passagens bíblicas para fundamentar suas crenças e doutrinas, em geral falham no que tange à fiel interpretação dos textos que escolhem. Evidentemente isso se dá mais por ignorância do que por malícia ou compromisso consciente com o erro.

         Vamos analisar algumas destas doutrinas e verificar se elas têm  consistência bíblica:

 

         1 – O Pastor: O pastor,  jamais foi colocado como sendo o nosso Sumo Sacerdote! Isto (não ter pastor em sua congregação) está em desarmonia com o ensino bíblico registrado pelo apóstolo Paulo, tão exaltado pelos congregacionalistas, em Efésios; veja: “Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.  Pelo que diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens... E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,  querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo,  até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,  para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente. (Efésios 4:7, 8, 11-14 RC). Portanto Paulo afirma que:

(a)   O pastor é um dom de Deus à Sua Igreja - Jer. 3:15.

(b)  A função do pastor tem propósitos específicos dentro da Igreja de Cristo:

1 – O aperfeiçoamento dos santos (separados);

2 – Para o desempenho do serviço divino;

3 – Para edificação do corpo de Cristo.

 

         Quanto ao pastor e sua função junto ao corpo de Cristo, que é a Igreja, declaram ainda  os  apóstolos Paulo e Pedro: Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. (Atos 20:28 RC)... apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;  nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. (I Pedro 5:2-3 RC).

         Também alegam que se há pastor que seja “voluntário”. Não remunerado; isto devido à uma má interpretação dos versos de I Pedro, acima, mas isto também é uma recomendação bíblica. Por exemplo:

 

(a) Paulo recebeu salário de determinadas igrejas para servir aos crentes em Corinto (a igreja tão amada pelos congregacionalistas) – II Cor. 11:8.

(b) O pastor que dá tempo integral na assistência à sua igreja é digno do seu salário - I Tim. 5:18.

(c) Paulo ensinou a Igreja de Corinto a sustentar os pregadores do Evangelho (parece que eles ainda  não aprenderam) - I Cor. 9:4-14.

(d) Timóteo foi advertido por Paulo a não cuidar dos negócios seculares para se sustentar - II Tim. 2:4.

(e) Pedro disse que a única ocupação dele e de seus companheiros de ministério era a oração e a pregação - Atos 6:4.

(f) Os apóstolos de Jesus viviam das ofertas que recebiam. Em João 12:6 lemos que existia uma bolsa onde eram depositadas as contribuições para o sustento dos discípulos, e Judas fazia as compras com o dinheiro aí depositado - João 13:9.

 

2 – O USO DO VÉU: Em I Cor. 11:1-17, Paulo escreve uma longa apologia com respeito ao véu e seu uso na comunidade cristã na comunidade de Corinto.

Nos dias da igreja primitiva, a mulher que não usasse véu nos cultos públicos agia como se estivesse raspado – veja bem, raspado e não cortado! – Ora, a cabeça raspada era algo repugnante para os judeus, já que só as adulteras tinham a cabeça raspada como castigo do seu crime - Num. 5:18. O mesmo acontecia com as escravas, e, às vezes com a mulher de luto, mas isto não era usual para as mulheres que estavam no seu estado normal...

Paulo, ao escrever à igreja de Corinto – e somente a esta igreja, ele teve esta necessidade – foi porque o problema da prostituição estava muito grande. Muitas mulheres de índole duvidável freqüentavam a igreja... Era necessário que as mulheres santas não fossem “confundidas” com estas mais “saidinhas” ao cortarem os seus cabelos e que, portanto, se cortassem os cabelos, então, que cobrissem suas cabeças com o véu. Mas veja que para a cultura judaica, era inadmissível – como ainda  hoje, o é – que mulheres fossem vistas em público sem véu; era uma questão de  costumes sociais...

Quanto à atitude da Congregação é condenável, não pelo uso em si do véu, mas pelo fato de suas mulheres serem “escravas” de uma doutrina não confirmada em nenhum outro ponto das Sagradas Escrituras e também de “não poderem” cortar um fio sequer de seus cabelos – o véu natural da mulher. Também é condenável pela maneira irracional com que condenam o seu desuso nas demais igrejas, fazendo assim, acepção de pessoas...

Interessante também é comentar que os homens não oram se não estiverem de terno (paletó) e de joelhos. Mais uma doutrina não sustentada pela Bíblia. Reverencia é uma coisa, mas vento de doutrinas (sem sustentação bíblica), é outra coisa. Alegam que  Cristo no Getsêmani orou de joelhos e que, portanto, esta é a posição em que Deus nos ouve; veja a passagem de Lucas: E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, (Lucas 22:41 RC).

Porém Cristo orou e foi atendido em outras ocasiões em outras posições e inclusive na cruz – Luc. 23:34. Paulo e Silas, acorrentado e preso os seus pés, orou e foi liberto – Atos 16:25. Exemplos temos no Velho Testamento em que as pessoas oravam principalmente em pé com as mãos levantadas ao altos e temos também exemplos inusitados tais como o de Ezequias que orou de pé e rosto voltado para a parede - II Reis 20:2 ou o de Jonas que orou dentro de um peixe – Jonas 2:1.

Mas voltando ao Getsêmani: Cristo orou realmente de joelhos ao modo ocidental? Lembre-se que do modo oriental – os judeus são orientais – orar de joelhos é colocar-se de joelhos e rosto ao chão... Veja a mesma passagem do Getsêmani nos outros evangelhos onde temos mais detalhes da posição em que Cristo orou: Mat. 26:39; Mar.14:35.

Portanto devemos, quando temos oportunidade, orar ajoelhados; em pé quando necessário e até mesmo assentados reverentemente; porém orações de livramento (no transito ou na rua, por exemplo) podem e devem ser feitos até mesmo em pensamentos elevados aos altos...

 

3 – ÓSCULO SANTO: O ósculo – beijo – era uma maneira comum de saudação entre os orientais, muito antes mesmo do estabelecimento do cristianismo. Servia aos judeus nas suas saudações, tanto nas despedidas como na forma de demonstrar afeto. O ósculo era entre os ocidentais uma expressão tão comum quanto o nosso apertar de mãos ou o abraço é entre a nossa cultura.

Na igreja primitiva, o ósculo era apenas uma saudação que pouco a pouco foi sendo transferido à liturgia cristã como um sinal de despedida, principalmente após a Santa Ceia que era feito conforme descrita em João 13:1-17 (inclusive no lava-pés, no suco de uvas e no pão sem fermento,  exemplificado por Jesus). Porém esta pratica – do ósculo -  perdurou apenas até o final do século III.

O ósculo (santo) entre os crentes primitivos não se limitava a ser praticado mulher com mulher e homem com homem, como fazem hoje os irmãos membros da Congregação Cristã do Brasil. Os costumes orientais, indica que o ósculo santo era praticado na testa ou nas mãos, mas nunca nos lábios... E, no Brasil (uma cultura ocidental), é vergonhoso um homem beijar outro homem ou beijar uma mulher que não seja a sua esposa, dentro ou fora da comunidade evangélica. Portanto:

(a) Se os membros da Congregação Cristã no Brasil, praticam o ósculo apenas homem com homem ou mulher com mulher é por que existe um fundo de malícia. E o que dizer sobre os que têm “preferências” escusas... Isto se torna pecado: Lev. 18:22.

(b) Se os irmãos congregacionalistas se saúdam com o ósculo apenas no decorrer do culto, também estão errados, já que é mostrado na Bíblia que os cristãos primitivos se saudavam assim publicamente – Atos 20:37.

(c) A saudação com ósculo não tem nada de edificante para a igreja uma vez que ela apenas assume feições ritualísticas divorciadas da verdadeira piedade cristã.

(d) Cristo durante o seu ministério não tinha o costume de saudar os Seus discípulos desta forma; veja quando Jesus, após a sua ressurreição ao encontrar as mulheres: E, indo elas, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés e o adoraram. (Mat. 28:9 RC).

         Em outra ocasião, Ele aparece aos discípulos: E, falando ele dessas coisas, o mesmo Jesus Se apresentou no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco. (Lucas 24:36 RC). Veja o apóstolo João falando sobre estes dias: Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco! (João 20:19 RC). E, oito dias depois, estavam outra vez os seus discípulos dentro, e, com eles, Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco! (João 20:26 RC). Aqui também podemos ver que a saudação verbal que eles usam (...paz de Deus) também não é Bíblica, já que nestes textos vimos que Jesus saudava os Seus com: Paz seja convosco!

 

         4 – PREDESTINAÇÃO: O fato de a Congregação Cristã no Brasil não pregar o Evangelho pelas ruas e praças, não encontra apoio nas Escrituras. A sua omissão se deve a falsa interpretação que fazem de Mat. 6:5 -  E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. (Mat. 6:5 RC). Deste modo, com medo de serem considerados hipócritas, desobedecem ao imperativo maior de Jesus Cristo – E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. (Mar.  16:15 RC). Como será possível evangelizar o mundo inteiro quando se alcançam apenas aqueles que freqüentam os nossos templos?

         Na parábola da grande ceia, Jesus ensinou o modo como a igreja deve proceder quanto à evangelização: E, voltando aquele servo, anunciou essas coisas ao seu senhor. Então, o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade e traze aqui os pobres, e os aleijados, e os mancos, e os cegos... E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e atalhos e força-os a entrar, para que a minha casa se encha. (Luc. 14:21, 23 RC). Segundo a Bíblia:

         (a) Jesus pregou nas ruas (Luc. 13:26), nas praças públicas ( Mar. 1:15, 20), nos montes (Mat. 8:1), etc.

         (b) Paulo pregou à beira de um rio e num logradouro público (Atos 16:13; 17:17). Famosos cristãos do Novo Testamento foram salvos não num culto dentro de um templo, mas onde estavam, nos seus afazeres...

(c) Pedro, André, Tiago e João, foram salvos durante um culto realizado por Jesus, à beira do mar da Galiléia (Mat 4:18-22).

         (d) Mateus estava na coletoria quando ouviu Jesus dizer: “Segue-me”, e o seguiu (Mat. 9:9).

         (e) Lídia foi salva à beira de um rio, enquanto ouvia Paulo (Atos 16:13-15).

         (f) Dionísio e muitos outros gregos foram salvos enquanto ouviam Paulo pregando no Areópago, lugar comum de discussão em Atenas (Atos 17:34).

         Jesus jamais disse ao pecador: “Vinde ao templo e sereis salvo” (---- --:---?), pelo contrário, Ele diz à igreja:  ...Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. Marcos 16:15, 16.

         Mas, baseado em Rom. 8:29, 30 que diz: Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.  E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. (Rom.  8:29-30 RC), crêem que somente os predestinados serão salvos e que, portanto, não importa o que façam, um dia eles entrarão pelas portas de suas igrejas e que “uma vez salvo, salvos para sempre...”, uma doutrina desenvolvida por João Calvino, o fundador da igreja Presbiteriana.

         Porém, esquecem que Deus criou o homem com o “livre arbítrio” e que este um dia “escolheu” pecar (Gen. 3:7e7), mas na seqüência, Deus em Sua benevolência apresentou-lhes o seu plano de salvação (Gen. 3:15). Desde então Cristo está à disposição de todos que O aceitarem... Quanto à predestinação ela não é bíblica pois, o homem a confunde com a Onisciência divina.

         Contra à predestinação deixou-nos Ele muitos textos bíblicos para combatê-la, Leia:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16 RC). Veja outros vs. :

II Tim. 2:4; II Ped. 3:9; Eze. 18:22; Mat. 7:21; Jer. 21:8; Apoc. 2:10; Atos 17:30; I Tes. 5:9

Sim, somos predestinados para a Vida! E, somente neste caso é que Deus, em Sua onisciência é que sabe quem “escolherá” se salvar, aceitando a Graça de Cristo.

E nesta escolha Ele não pode interferir: ...então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. (Mat. 25:34). Viu? Preparado para o Homem!

Mas no verso 41 do mesmo capítulo temos: Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Percebeu? Preparado para quem? Para o Diabo e não para os homens! A vontade divina é que ninguém pereça...

E lembre-se que em  Atos 10:34 ...falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas.

 

         5 – CULTURA & PREGAÇÃO: O Ensino da Congregação Cristã no Brasil de que o pregador não deve buscar a “sabedoria do mundo”, pois o Espírito Santo colocará na sua boca as palavras certas no momento certo, deve-se a uma interpretação equivocada das seguintes palavras de Jesus: Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como ou o que haveis de falar, porque, naquela mesma hora, vos será ministrado o que haveis de dizer.  Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. (Mat. 10:19-20 RC). 

            Quando analisamos esta passagem dentro do seu contexto, verificamos que não há nenhuma alusão ao fato de que o crente deve relaxar os estudos e o amor pelo conhecimento geral ou mesmo das Sagradas Escrituras sob a garantia que o Espírito Santo colocará na sua boca as palavras necessárias no momento da pregação. Esta passagem se refere à maneira como o crente deve se comportar no momento da provação, no caso de vir a ser conduzido aos tribunais e à presença de governadores e reis por causa do nome de Cristo. Perseguição esta, tão comum naqueles dias. Nos dias de hoje esta passagem e esperança aplica-se muito bem quando somos confrontados com perguntas e contestações doutrinárias da parte de irmãos de outras denominações que apenas querem nos colocar “na parede”. Nesta situação, ore, que o Espírito Santo estará presente falando por você!

         Mas, voltando à Bíblia; não poucos versículos insistem na necessidade de o crente buscar maior conhecimento através da leitura, do estudo e de outras formas de aprendizagem. Os mais destacados discípulos de Cristo, disto falaram:

         (a) Salomão: Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio; ensina ao justo, e ele crescerá em entendimento. (Prov. 9:9 RC).

(b) Jesus: E ele disse-lhes: Por isso, todo escriba instruído acerca do Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. (Mt. 13:52).

(c) Paulo: Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. (II Tim. 2:15 RC).

Paulo, cativo em um frio cárcere romano, escreve ao seu amigo Timóteo e diz: Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. (II Tim. 4:13 RC). Percebeu a prioridade dada por Paulo aos pergaminhos, a Bíblia dos seus dias, mas por nada abandonava os outros livros de consulta disponíveis nos seus dias...

 

6 – O DÍZIMO – Perguntamos: A quem pertence tudo que você tem? O salmista responde: “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Sal. 24:1). Portanto, só quando analisamos à luz da soberania de Deus é que poderemos compreender o grande significado do dízimo no contexto da adoração cristã. Quando estamos dando o dízimo estamos com isto dizendo que Ele é o dono de tudo e que o homem é o seu mordomo... Leiamos Gen. 2:15 “Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar...

         Agora dizer que o dízimo foi uma prática restrita ao tempo da lei, portanto nada tendo a ver com o crente na atual dispensação, é um ensino improcedente e não se apóia nas Escrituras – Você conhece algum “versículo” que afirme o cancelamento do dízimo?

         Sabemos que a prática de dizimar é mais antiga que a Lei de Moisés pois Abraão deu o dízimo Melquisedeque – cerca de quatrocentos anos antes da lei dada a Moisés (Gen. 14:18-20, cf Heb. 7:1-4) e o seu neto Jacó (Israel), fugindo do seu irmão fez um pacto com Deus, dizendo que se Ele o fizesse prosperar na sua viagem, ao voltar daria o dizimo de tudo quanto ele tivesse recebido – Gen. 28:20-22. Como vimos, o dízimo antes da Lei já era destinado aos serviços e sustento dos sacerdotes, hoje aos pastores e à igreja de Cristo!

         Isto foi confirmado por Deus a Moisés quando instituiu os serviços do tabernáculo – Num. 18:21-32. Ali também foi dito que além dos dízimos deveríamos dar também uma oferta especial sobre as nossas bênçãos ... Vejamos o que diz o profeta Malaquias:

         Em primeiro lugar devemos destacar que:   ...Eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. (Mal. 3:6); em segundo lugar que, quem não devolve a décima parte, Deus o considera como a um ladrão:

Veja – “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas (Mal. 3:8).

E, em terceiro lugar temos o apelo divino sobre o nosso dízimo: “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida (Mal. 3:10).

Quando Cristo aqui  esteve, duas vezes referiu-se ao dízimo. A primeira vez foi na  casa de um fariseu que O convidara para cear com ele; mas antes de comerem, quis o fariseu seguir o cerimonial... Vejamos a reação de Cristo, após o legalismo farisaico:O fariseu, porém, admirou-se ao ver que Jesus não se lavara primeiro, antes de comer.  O Senhor, porém, lhe disse: Vós, fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e perversidade.  Insensatos! Quem fez o exterior não é o mesmo que fez o interior?  Antes, dai esmola do que tiverdes, e tudo vos será limpo.  Mas ai de vós, fariseus! Porque dais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e desprezais a justiça e o amor de Deus; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas (Luc.  11:38-42). A repreensão foi contra os extremismos que o fariseu fazia com a lei, mas Cristo o alertou dizendo: devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! Não estava censurando o sacramento do dízimo, mas sim, o confirmando...

E, na segunda vez que o fez, foi durante a parábola do fariseu e o publicano. Veja: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano.  O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano;  jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.  O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!  Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado. (Luc. 18:10-14).

Nesta parábola, Cristo exaltou a oração penitente contra aquele que se vangloriava de seguir toda a Lei; mas de um modo totalmente legalista... Pois o justo não será justificado por obras, e sim por sua fé... Mas a salvação não vem só de fé, mas também por obras - Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? (Tiago 2:14 – leia todo o contexto: 2:14-26). Portanto, não só de obras, mas também por obras!

Mais tarde, o apóstolo Paulo voltou a tocar no assunto... Leia: Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando voltava da matança dos reis, e o abençoou,  para o qual também Abraão separou o dízimo de tudo...  a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos.  Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamento de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora tenham estes descendido de Abraão;  entretanto, aquele cuja genealogia não se inclui entre eles recebeu dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas.  Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior.  Aliás, aqui são homens mortais os que recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive.  E, por assim dizer, também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão.  Porque aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai, quando Melquisedeque saiu ao encontro deste. (Heb. 7:1-10).

Aqui, Paulo não estava condenando o dízimo e sim exaltando-o apesar de não ser este o motivo de ter tocado neste assunto e sim o fato de que apesar de Cristo não ter sua origem na tribo levita (preparada por Deus, no Sinai, para serem sacerdotes de um evangelho de símbolos que levaria a Cristo...) é o nosso Sumo Sacerdote – Heb. 7.26.

Ao lermos o contexto de Hebreus, é importante sabermos discernir sobre qual Lei Paulo esta falando, pois sabemos que uma – a Lei Moral – é um espelho para homem enxergar em que está desagradando (pecando contra) o Seu Criador; enquanto a outra – a Lei Cerimonial – que apontava para um Redentor, e portanto transitória até que, o sacrifício superior e definitivo, tivesse sido realizado por Cristo, na cruz... veja Heb. 10:12. (leia se possível, toda a carta de Hebreus, sempre tendo em mente que estamos falando – Paulo –  para um povo judeu que não aceitavam ou não compreendiam Cristo, e que continuavam insistindo em seus cerimoniais, em busca da salvação).   

Mas voltando ao nosso assunto, o dízimo, compreendemos que tudo pertence a Deus, contudo Ele nos entregou tudo requerendo o retorno de apenas um décimo dos nossos lucros, e ainda sob a promessa divina de que sobre aquele que o fizer, derramará Ele, bênçãos sem medidas – Mal. 3:10. E, você diria, Deus não precisa do meu dinheiro; mas lembre-se que Ele quando instituiu o dízimo deu  lhe uma destinação específica; Sustentar o Seu Ministério, através de Seus pastores... 

Por isso em Mal. 3:8 é citado: dízimos e ofertas; não só ofertas! E, para aqueles que dizem:  – Eu ganho tão pouco, que mal dá para as minhas despesas básicas, quanto mais para despesas de emergência como médico, farmácia, etc! Para estes Deus tem a resposta:

 Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.  Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos (Mal. 3:10-11).

Este é o propósito do dízimo, uma oferta de fé. Fé em Nosso Criador... E ainda  os nossos irmãos congregacionalistas se vangloriam dizendo: “À Bíblia, somente...”, porém não a estudando, eles não podem conhecer a “vontade divina” para os seus filhos, ou seja, nós todos... Amém!

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